Sobre "Contigo": Dois artistas portugueses, João Paulo dos Santos, acrobata do mastro chinês, e Rui Horta, coreógrafo, unem as suas experiências e influências para criar um espectáculo singular, Contigo, no qual encontram a sua própria linguagem. O espectáculo apresenta-nos as diferentes noções que os artistas têm dos seus corpos e dos objectos. Num espaço vazio, preenchido apenas por um mastro chinês e um corpo, João faz explodir a sua raiva e virtuosidade entre o céu e a terra, mostrando também a exaustão e a solidão do artista.
"O meu objectivo não passa forçosamente por ser ou não ser um bailarino, mas por conseguir atingir uma harmonia com o mastro chinês e com o meu corpo."
A Quarta Parede realizará amanhã, em Riachos, a terceira e última apresentação do espectáculo de teatro de objectos "Os fios que a lã tece", programado no âmbito da 6ª edição do Festival Y . O espectáculo terá lugar na Casa do Povo de Riachos, às 10h30m, e será antecedido por um atelier da responsabilidade do Serviço Educativo do Teatro Virgínia, anfitrião do Festival Y#06 em Torras Novas.
DIVULGAÇÃO_"Paisagens tecidas por linhas" pelo Serviço Educativo do Teatro Virgínia
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O Serviço Educativo do Teatro Virgínia continua muito activo e apresenta, nos próximos dias 7 e 8 de Novembro, "Paisagens tecidas por linhas" em torno do espectáculo "Os fios que a lã tece" que Quarta Parede apresentará no âmbito do Festival Y#06 no Museu Agrícola de Riachos.
As acções, com a duração de uma hora, destinam-se a escolas e a toda a família e terão lugar no Museu Agrícola de Riachos, às 10h e às 14h de dia 7 de Novembro e às 10h30m de dia 8 de Novembro.
"A paisagem transforma-se todos os dias por nós que a habitamos. Pelas nossas acções e trabalho. Tecemos linhas rectas, abrimos valas, contornamos rios, utilizando ferramentas, muitas delas expostas neste Museu, que imprimem texturas e formas no campo e na cidade. Em pequenos pedaços de madeira são desenhadas linhas que recolhemos dos objectos do Museu. Linhas largas, paralelas, interrompidas, curtas e compridas como as que traçam as rodas de um carro de bois. Esta oficina é uma introdução ao espectáculo, cruzando o seu universo com a colecção do museu".
Orientação Serviço Educativo em parceria com o Museu Preço 2€ espectáculo | 3€ espectáculo e oficina
Publicamos aqui um excerto do texto da autoria da jornalista e escritora Claudia Galhós sobre a estrutura Real Pelágio que hoje apresenta, no âmbito do Festival Y #06, o espectáculo "Tritone", às 21h30m no Teatro Virgínia, em Torres Novas.
“A Real Pelágio, da dupla Sílvia Real (criadora e intérprete) e Sérgio Pelágio (músico), é uma estrutura invulgar dentro do universo da dança contemporânea portuguesa. No caso desta, aplica-se, à letra, a designação de «independente». Quando se candidataram, pela primeira vez, aos apoios estruturais do Estado, então através do IPAE, em 1999, fizeram-no com o acordo mútuo de que seria apenas durante cinco anos, para arranque do projecto. Em 2005 não houve concurso, os montantes foram prorrogados, e para não quebrar o compromisso, investiram o que receberam na compra de equipamento, nomeadamente numa carrinha com a qual percorrem o país, com o cenário das peças que apresentam às costas. (…) Dona Domicilia está a ficar velha. O tempo vai passando por ela, em palco. Há mais de uma década, ganhou vida, no cubículo branco onde se apresentou na intimidade, numa casa imaginada pela Real Pelágio a lembrar os estúdios/casa minúsculos, onde pode habitar apenas o corpo em solidão. «Casio Tone», o primeiro episódio com referências à banda desenhada e a Jacques Tati e Roman Polanski, ainda circula pelos teatros portugueses. Domicilia partilhou, entretanto, o seu temperamento desencantadamente feliz da vida quotidiana no local de trabalho, em «Subtone», a sequela que a coloca no entendiantemente divertido local de trabalho(…). Desta vez, - em Tritone - o estranhamente encantadora e emblemático ser humano destes nossos tempos vai de férias.(…) A longevidade da história, neste caso construiu relações de afectos. Os dois recordam alguns bons momentos desta existência duradoura, como o caso da miúda de 12 anos que assistiu, em Beja, a um dos primeiros espectáculos desta invulgar personagem. Dez anos depois, a mesma menina é agora uma programadora que continua a acompanhar a vida conturbada de Domicilia. Sílvia e Sérgio conheceram-se no início da década de 90. Começaram por colaborar artisticamente mas foi em 1995, com a peça de grupo «Pour Bien», que perceberam que partilhavam algumas afinidades na maneira de trabalhar, como hoje recordam: «a capacidade de ironizar sobre nós, a descoberta de uma vontade de trabalhar à volta do humor». Em 1999 formalizaram a existência da estrutura que chamaram de Real Pelágio. Ao desejo de trabalhar em conjunto, juntava-se a necessidade da constituição legal para concorrerem aos apoios do Ministério da Cultura. (…) Desde o arranque que a aposta é feita na circulação e na conquista de novos públicos, sempre através do contacto directo. Sílvia Real fez-se à estrada, logo em 1995, para tentar vender a peça de grupo «Pour Bien». Lembra-se de ter visitado cerca de 15 teatros, sem reuniões marcadas, à aventura, e sempre a insistir, a insistir e a esperar até as pessoas a receberem. O país era outro. Viu teatros fechados, a escolha não era muita. Ainda assim, conseguiu levar aquela peça a quatro teatros. A divulgação que faziam no local seguia a mesma lógica: na rua, Sílvia fazia uma cena da peça para atrair espectadores. À moda antiga. Diz que essa relação directa, com as pessoas, programadores e público começa agora a dar resultados. Da estratégia de viabilização fazem parte outros itens determinantes, como: «Não desistir. Saber esperar. Pensar um bocadinho mais a longo prazo.» Dizem que o subsídio lhes tirava «imenso tempo». Não tanto no dispêndio do preenchimento dos impressos, que também era substancial, mas mais no «compromisso artístico e económico» que sentiam perante o Estado que lhes consumia energia, que agora canalizam para falar com as pessoas e vender espectáculos. Andam com o cenário atrás, dentro de uma carrinha que compraram, e dizem-se autónomos: «Montamos e desmontamos tudo. À antiga. Claro que pedimos dois carregadores e um técnico no teatro onde vamos, mas às vezes não existem. Já tivemos situações em que nos entregaram a chave do teatro para as mãos. A grande vantagem que temos hoje é que podemos fazer uma série de espectáculos que recusaríamos há alguns anos porque temos o material, só não temos os projectores. Somos autónomos em relação ao espaço.» E aqui surge mais um dos itens da estratégia: «Nunca dizemos não, tentamos sempre arranjar uma solução para alguém que se interesse pelo nosso trabalho e fazemos, qualquer que seja o enquadramento, sempre com a mesma dedicação, profissionalismo e prazer.”
in “Uma história da dança independente “ - excerto do texto de Claudia Galhós para o Dia Mundial da Dança de 2002
Aproveite para ouvir aqui o depoimento de Sérgio Pelágio, um dos autores de "Tritone" que juntamente com a coreógrafa Sílvia Real apresentarão hoje à noite, no Teatro Virgínia em Torres Novas, o seu espectáculo no âmbito do Festival Y #06.
O Serviço Educativo do Teatro Virgínia apresenta hoje às 10h30 e às 14h30m "O passaporte da D. Domicília", acção destinada a alunos do 3º e 4ª ano do 1º ciclo, em torno do espectáculo "Tritone" de Sílvia Real a apresentar no âmbito do Festival Y#06 amanhã às 21h30m no Teatro Virgínia.
"Uma mala com vistas e perspectivas, outra com objectos e animais inspiram-nos para criar hotéis onde passar férias com a D. Domícilia. Uma oficina sobre lugares, para recortar e habitar paredes e janelas de um quarto de hotel. Um quarto escuro, um quarto tempestade, um quarto aquário..."
Veja aqui um excerto do espectáculo "Tritone" de Sílvia Real a apresentar, no âmbito do Festival Y#06, já amanhã às 21h30m no Teatro Virgínia, em Torres Novas.
Depois do sucesso de Casio Tone e das aventuras da Senhora Domicília se terem tornado o tema central em Subtone, a saga continua com o terceiro capítulo: Tritone. Tal como nos anteriores, toda a peça acontecerá dentro do mesmo cenário minúsculo, num registo trágico-cómico e sem texto. Depois do problema da falta de espaço em casa e do tédio no seu trabalho solitário, Tritone é um hotel quase cápsula, dentro do qual a Senhora Domicília irá passar umas férias que a vão deixar como nova.
tritone
argumento e interpretação > sílvia real argumento (animação e peça), sonorização > sérgio pelágio figurino, adereços e direcção de cena > ana teresa real cenografia e design gráfico > carlos bártolo desenho de luzes e direcção técnica > carlos ramos assistente de cena > ângela ribeiro animação (João Pedro Gomes- realização; Paulo Abreu- fotografia; Patrícia Rego- assistente) > daltonic brothers sonorização (animação) > simão costa assistente de ensaios > filipa francisco marcenaria > josé botelho produção > produções real pelágio/marta reis co-produção > culturgest; fundação centro cultural de belém; teatro viriato; teatro circo; festival Y/quarta parede; centro cultural do cartaxo; centro de arte de sines apoio > segway; revista nada; daltonic brothers; miso records; restart- escola de criatividade e novas tecnologias; cadigital- atelier de impressão; MC/IA (1999-2005) ministério da cultura/instituto das artes
género: dança|teatro | duração: 50 min. | classificação etária: maiores 8 anos
DIVULGAÇÃO_Festival Y#06_3 dias, 4 espectáculos, 4 cidades
Os próximos 3 três dias estarão recheados de espectáculos do Festival Y#06, com a apresentação de 4 propostas criativas em 4 cidades distintas. O Catalão Sergi Fäustino bisará apresentando "f.r.a.n.z.p.e.t.e.r", amanhã às 21h30m no auditório d' A Moagem no Fundão, e "Duques de Bergara Unplugged", às 21h30m do dia 1 de Novembro, no auditório do Teatro das Beiras, na Covilhã. Os restantes dois espectáculos estarão a cargo de Cláudia Dias - que apresentará o espectáculo de dança "Das coisas nascem coisas" dia 31 de Outubro no Teatro Municipal da Guarda -, e de Sílvia Real que levará "Tritone", dia 1 de Novembro, ao Teatro Virgínia em Torres Novas. A acompanhar atentamente a publicação de mais informações sobre os referidos espectáculos aqui neste blog.